domingo, 5 de abril de 2009

O medo de amar

Estava relendo os posts anteriores e refletindo sobre os capítulos da minha vida. Achei graça ao perceber que cada post relata o aprendizado após cada fase turbulenta em que enfrentei nos últimos anos. Escrever é legal, mas nem sempre encontramos inspiração para redigir, isso porquê quando vivemos uma situação, dedicamos tanto tempo pensando em uma solução que os pensamentos tornam-se uma farmácia de inspirações confusas que não nos permitem a exploração do verdadeiro significado do momento.

Eu estou em uma fase meio assim, sei lá. Dizem os poetas que a pérola nasce do sofrimento da ostra e como diria Schopenhauer, o ser humano não saberia viver sem o sofrimento. Se tudo fosse como quiséssemos seríamos suicidas devido ao tédio do marasmo. O que não consigo entender é como tantas pessoas conseguem mergulhar no seu sofrimento se fechando para o mundo, mergulhado nas revoltas íntimas, não fazendo nada para superar seus tramas e da mesma forma não permitindo com que ninguém auxilie nem que seja como uma válvula de escape.

Não, eu não quero ser uma válvula de escape. Não sou a dona da verdade e nem sempre minhas atitudes são as mais corretas, mas gostaria muito se assim como eu, o mundo fosse mais corajoso e menos covarde. Primeiramente precisamos escutar nossos sentimentos, identificar quais fatores determinam a nossa dependência de situações e de pessoas. Só assim saberemos o que realmente queremos da vida.

Dinheiro, status, ascensão profissional, literalmente fazem-nos felizes. Mas isso por si só, não basta. Precisamos estar bem resolvidos em todos os aspectos e obviamente precisamos estar resolvidos com o nosso coração. Livre de amarras, livre de bloqueios, enfim livre para a vida. O problema é que estamos tão acostumados com as desilusões que generalizamos os envolvimentos. Aos poucos, damos um destaque acentuado aos deslizes e quedas da vida amorosa e isso somente agrava o estado de amargura da nossa alma.

Desenvolvendo o que já disse em relatos anteriores, as pessoas têm a terrível mania de tentar obter segurança nos envolvimentos. As pessoas entram em uma relação se protegendo, pensando se deve ou não ligar. Será que é difícil entender que esse detalhe não faz diferença? Por que não passam a serem parceiros, ao invés de ficar computando quem fez mais ou quem fez menos? Se durar um mês, durou. Pelo menos houve autenticidade e entrega. Segurança completa não existe. Por mais certeza que temos que a relação irá perdurar, vamos sempre nos magoar.

Desculpe estragar as ilusões daqueles que acham o contrário, mas... Somos seres-humanos, somos imperfeitos, vivemos na erraticidade a fim de evoluir com os nossos tropeços, mas se o seu relacionamento não foi como esperava, não se isole, não se bloqueie, não pense que não deu certo. Deu certo, deu certo enquanto durou. Parafraseando Arnaldo Jabor, deu certo durante três, quatro ou vinte anos que você viveu com aquela criatura. "Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Na vida e no amor, não temos garantias."

Costumo dizer que em tudo na vida estamos na probabilidade dos 50%. Se não temos medo de tomar tantas outras decisões importantes, por que não arriscar por um amor? Desconfio que fomos educados a manter o outro pensando como nós, escolhendo nossas escolhas e agindo em conformidade com a nossa avaliação de certo e errado. É mais cômodo se ajustar a muitos julgamentos do que acreditar nos ideias pessoais e nos nossos sentimentos. Sofremos o receio da rejeição e quer saber o que acho? Não tenho medo de levar um não. Se eu for rejeitada, talvez seja Deus rejeitando esta pessoa para a minha vida.

Por mais receio que sinto de relacionamentos, não perco a intenção de me arriscar, de apostar minhas fichas e quem sabe um dia ser premiada com o verdadeiro amor? Ele existe, eu sei que existe e um dia eu hei de encontrar.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Adeus ano velho, feliz ano novo!

O ano passou tão rápido que eu sequer me dei conta que já estamos praticamente com o pé direito em 2009, renovando as esperanças, criando metas e de certa forma criando zilhões de expectativas para a nossa felicidade.

2008 foi um ano de fortes oscilações, não apenas pra mim, mas para a sociedade de uma maneira geral. Embora tivemos uma forte aceleração consumista até a metade do ano, a crise que se instalou nos Estados Unidos, teve uma repercursão desastrosa para a economia mundial, desmoronando as expectativas da alta do PIB. Depois disso, tivemos o desastre de Santa Catarina, mas fomos capazes de ver pessoas se mobilizando e a força solidária entrando em ação, ajudando não só aquelas pessoas que perderam quase tudo, mas principalmente vimos pessoas demostrando que a união faz a força e que juntos podemos fazer de nosso país, um país de todos. Eu particularmente me identifico mais com os anos ímpares, talvez por isso que eu esteja sedenta por 2009, achando que desta vez sim, tudo pode ser diferente. Não que eu esteja insatisfeita com 2008, pois foi um ano de muitas realizações, muitos aprendizados. Cumpri com a maioria dos meus objetivos e vivi este ano inteiro focada em meus objetivos, obtendo muitas realizações em forma de resultados.

E em 2009, quero continuar essa saga, com poucos porém importantes metas a serem alcançadas:

1- Continuar viajando muito, conhecendo novos lugares e novas culturas.
2- Continuar mantendo a constante briga com a balança e com aquela praga chamada caloria que fica instalada no nosso guarda-roupa a noite, encolhendo as nossas roupas.
3- Levar a sério a academia.
4- Parar de fumar, mas que desta vez seja definitivo.
5- Voltar o inglês.
6- Pagar meu carro.
7- Receber uma nova promoção com direito a 30% de aumento.
8- Investir 20% do meu salário ao mês.
9- Pagar a reforma do apartamento e as demais dividas que realizei em 2008.
10- Dar adeus a vida de solteira, virar a página e viver um amor que faça valer a pena.
11- Fazer uma viagem internacional nas minhas férias
12- Manter a minha estabilidade profissional desenvolvendo uma carreira promissora.

domingo, 5 de outubro de 2008

Semana voltada à reflexões

Onde estão as pessoas, onde estão os amigos, onde estão os amores, onde está a família, onde eu estou? Um dia desses trancada em meu apartamento em companhia com os meus questionamentos, analisando as pegadas de caminhos mal traçados e um labirinto escuro, onde não visualizava saída alguma sentia que o ânimo, as forças, a coragem e a fé cambaleavam diante a tantos insucessos. Não queria desistir, não queria demonstrar fragilidade, mas a vontade era mesmo de mandar tudo às favas e gritar ao mundo inteiro que eu não sou tão forte quanto demonstro ser, que estava difícil encontrar um alicerce que me fizesse ter paciência e esperança para que o tormento cessasse.

Queria fugir não sei pra onde, queria o colo não sei de quem, queria carinho e atenção. Queria um montão de coisas que não sei dizer. Queria as coisas do meu jeito, mesmo sem saber se esta seria a melhor opção. Gostaria de clicar no Google e encontrar uma solução pronta, sem ter que batalhar tanto por tantas incertezas. Como é trabalhoso ter que agir, ter que colocar as minhas teorias em prática. Mas... A verdade é que nunca estamos sozinhos.

Eu pensei estar sozinha, talvez por morar sozinha, estava tão isolada do mundo que não via que meu telefone tocava, que não permitia que minha família a 350 km de distância me desse o consolo tanto almejado. Mas na verdade, era eu quem queria estar sozinha e enxergar apenas o meu próprio umbigo, me isolando do mundo e das pessoas.

Daí em meio aqueles surtos psicodélicos de crise existencial, conversei com o cara lá de cima implorando para ele pegar mais leve. Disse que o julgo estava pesado demais e que desse jeito eu só me via afundar em um labirinto sem saída. Onde estava a saída?

Foi aí que na segunda, preocupado, o Rodrigo me telefonou. É incrível como esse amigo, irmão, anjo ou sei lá como posso descrevê-lo, sempre me procura quando tenho um teach a teach com Deus. Ele me pediu para ler o seu blog, ver que estávamos no mesmo barco furado, reclamando a falta de sorte no amor, as preocupações profissionais, o problema financeiro e ainda a solidão. Alguns minutos de conversa, dormi com as lágrimas secando em meio rosto, com aquele gosto de soro fisiológico e um imensurável nó na garganta. Eu não estava bem.

Na terça decidi ler o tal blog de cabo a rabo e foi em um dos posts que comecei a refletir. Vou ter que colar aqui, o que me fez acordar.

"Se a vida é complicada, a gente complica mais!!! Se a vida é boa, arrumamos motivos para reclamar!!! Se a vida é uma merda, não nos mexemos para limpar!!! Se a vida é triste, arrumamos motivos para lamentar!!! Se a vida é alegre, ótimo - pra que existe religião mesmo??
Se a vida é!!! Se a vida é!!! Se parar pra pensar na vida, não saio do lugar. Estou travado nesse mesmo ponto desde o início dessa madrugada. Me sentindo incapaz de me mover. Achando que tudo está conspirando contra mim. Vida profissional, econômica, pessoal e amorosa. Tudo errado. Às avessas. De cabeça pra baixo.

Um sentimento cretino de impotência perante os problemas que se acumulam. Uma vontade tremenda de sumir desse pedaço do mundo e recomeçar tudo em outro lugar. Mesmo sabendo que errarei exatamente nos mesmos pontos. Mas queria ter a chance de errar em outro lugar também.

Estou numa confusão mental que só acho algo parecido no ano de 1999. Fim de namoro conturbado, morte do melhor amigo, afundado numa angústia de dar dó em qualquer ser humano e brigando para não terem piedade de mim.

Não sei por onde recomeçar. Não sei por onde pisar, para onde virar meu norte. Somos donos de nossos próprios pontos cardeais. Prumamos nossa vida para o norte que bem entendermos. E essa liberdade às vezes deixa o ser humano confuso. Queria ser um filho da puta como outro qualquer. Mandar tudo às favas (como diria a Dennyse!! Quanta saudade dela!). Sair sem rumo. Mas não posso. Tenho uma base em Campinas. Pessoas que gostam de mim. Que sofreriam se eu sumisse. Pessoas que me amam de verdade. E não posso decepcionar essas pessoas."

Eu me sentia exatamente assim, fui me identificando tanto com aquelas palavras que sentia até que aquelas palavras foram escritas por mim. Continuei lendo outros posts que me fizeram refletir ainda mais. Pelo telefone, mais uma vez, conversei com o Rodrigo por algum tempo e o parafraseando posso dizer: "Músicas em duas partes são legais. Ficamos procurando semelhanças entre as canções. Floyd é assim, Engenheiros é assim, tantas outras bandas são assim. Músicas em duas parte são legais!! Sofrer em duas etapas não é legal. Ficamos procurando semelhanças entre as dores."

Foi aí que acordei, olhei no espelho e pensei: Apesar da crise econômica dos EUA estar afetando o setor de crédito e do banco central estar restringindo o crédito, onde vou chegar com este meu medo tolo e com esta insegurança medíocre de ficar desempregada? Lembrei-me das palavras de conforto do Rodrigo, dizendo-me o quanto sou dedicada ao meu trabalho e relembrando toda a minha trajetória profissional, aos meus sucessos e a minha capacidade intelectual. Lembrei-me do filtro solar: “Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade de sua vida tendem vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça feira modorrenta.”

Na quarta-feira assisti o filme Ensaio sobre a cegueira, baseado na obra do escritor português José Saramago.O filme fala sobre a degradação da sociedade durante uma epidemia de cegueira que assola uma cidade. Mostra a humanidade obrigada a confiar uns nos outros quando os sentidos físicos os deixam. Mais do que isso, mostra o quanto se é importante reparar no seu próximo e até onde nossa dignidade, moral e orgulho se perpetuam diante a busca da cruel sobrevivência. Senti o quanto ainda existem pessoas que mesmo com toda a sua capacidade visual, tornam-se cegas, diante a tantas injustiças, crueldades e torturas que somos obrigados a conviver diariamente. Mais do que isso, o filme nos faz reconhecer que nenhum de nós pode-se dizer que somos bons o suficiente.

A semana seguiu com a morte de um amigo da família. O Jean, 30 anos, relembrei dos dias que eu passava na loja do meu tio para ficar filosofando sobre a vida e tomando cerveja junto a ele, lembrei-me dos sonhos dele e não conseguia me conformar com o fato de que, simplesmente ao cair de uma escada de um metro de altura, ele morreu, deixando além das saudades, o sentimento de que não somos nada, diante do que Deus nos reserva. Vivemos fazendo diversos planos, estipulando metas, sem saber até quando vamos durar.

No sábado, fiquei horas conversando com o Flavinho. E por mim continuaria o resto das horas do meu dia conversando com ele. O estranho de tudo isso é que por mais que eu tenha todos os motivos para ter aquela conversa voltada a segundas intenções, o papo foi realmente agradável por eu não estar pensando em nada disso. Fiquei admirada com o quanto já passamos por situações semelhantes, por pensarmos da mesma forma, por termos quase que os mesmos objetivos de vida, por priorizarmos a família, por sonharmos em constituir uma família, pelas neuras, carências e até mesmo por ambos já terem passado por duas tentativas de casamento mal sucedidas. Enfim, pensei por alguns instantes que assim como eu, ainda existe pelo menos um homem que pense diferente de todos que já conheci. Ele toca violão, é São Paulino, mora sozinho, possuí valores indescritiveis, enfim, sabe aquele homem que você sempre idealizou, mas diante a tantas desilusões passou a acreditar que não existisse? Esse é um deles. Mas voltando ao assunto, se fosse a tempos atrás, mesmo sem sequer ter o beijado, eu já estaria me imaginando vivendo o resto dos meus dias ao lado dele. E por incrivel que pareça, isso não ocorreu. Não sei se estou fechada para balanço, mesmo não tendo ninguém em meu coração, ou se é mesmo por estar enfrentando um momento conturbado, que deixei de criar expectativas, mas... Fiquei impressionada, porém tudo soou tão natural, quanto o ato de abrir os olhos ao despertar.

Fiquei literalmente trancada no meu trabalho e em uma tentativa de resgate, minha gerente veio me salvar. Fomos tomar uma cerveja no buteco da esquina e ficamos ali até as nove da noite, conversando sobre trabalho, expectativas profissionais e saí de lá com o coração tranquilo, acredito que deixei todos os meus medos, incertezas e inseguranças e voltei com esperanças e vontade de continuar esta longa batalha que se chama vida.

Hoje, minha família fez uma festa destinada as crianças carentes em comemoração a São Cosme e Damião. Até o último ano em que minha amada avó estava entre nós, ela sempre promoveu essas festas e após o seu desencarne, minha tia passou a seguir esta tradição. Em meio as sessenta crianças que ali estavam, uma me prendeu a atenção. Quatro anos, nasceu com hidrocefalia, já sofreu sete cirurgias e hoje possuí uma hérnia enorme na barriga. A pequena é a alegria em pessoa, canta como ninguém, conversa muito, estremamente inteligente e um verdadeiro exemplo de vida para a humanidade.

Analisando esta semana reflexiva, com acontecimentos tão marcantes, posso dizer que mesmo ainda não sabendo ao certo a direção exata que devo seguir, aprendi que existem dores maiores do que as minhas, que existem problemas maiores que os meus e que mais uma vez eu estava fazendo uma tempestade em um copo de água. Senti até vergonha de pedir tréguas ao meu pai celestial e principalmente senti que a verdadeira felicidade não está em olhar apenas para o nosso próprio umbigo. A verdadeira alegria está em poder trazer um sorriso no rosto de uma criança carente, está em poder ser útil a alguém, em ser o consolo do aflito, em levar a luz a quem procura a verdade, levar amor aos que tem ódio, ter fé nos momentos de dúvida, ter esperanças nos momentos de desespero, enfim, como diria a oração de São Francisco: “É dando que se recebe, perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna!”E sim, eu amo Deus acima de tudo e tenho certeza que quando eu menos esperar, tudo irá se realizar. O que preciso mesmo é continuar cultivando minha paciência, fé e resignação. E claro, saber olhar ao meu redor, reconhecendo o quanto a minha família é maravilhosa e está ao meu lado, quando eu cedo algum espaço e sim, que tenho amigos, anjos conselheiros enviados por Deus, que está sempre me auxiliando nos meus momentos de aflições. Eu deveria mesmo é agradecer a Deus, por me conceder oportunidades como esta de reconhecer o quanto é bom viver.

Fazendo um adento, preciso parafrasear o Flavinho: "Já imaginou o quanto seria chato, aos dez anos saber que o grande amor de nossa vida estava do outro lado do mundo? Trocar o MSN, conversando com alguém que tinhamos a certeza que aos doze íriamos conhecer e viver a vida inteira? Onde iria estar a emoção diante a tanta certeza? Acho que isto seria chato"

Pois é, e eu também acho, a verdade é que a felicidade está nas emoções das incertezas da vida. Eu acho isso e mais um monte de outras coisas que continuam na minha farmácia de pensamentos, mas acredito que por hoje esta biblia já excedeu todo e qualquer limite.

domingo, 31 de agosto de 2008

A incerteza do amanhã

Queria perder essa mania de tentar encontrar explicações para tudo o que ocorre em minha vida. A verdade é que a vida está longe de ser lógica como a matemática e infelizmente não estamos preparados para saber a verdadeira razão de certos acontecimentos que temos que passar.

Sei que tudo parece mais dificil do que realmente é e que na maioria das vezes fazemos uma tempestade em um copo d'agua. Não nos damos conta de que aquele maremoto que enfrentamos é simplesmente um copo d'agua, inofensivo para quem vê de fora, mas que para nós parece que vai nos afogar. Quem é que se afoga em um copo d'agua? Dizem que Deus não nos dá mais do que podemos suportar e isso é verdade. O problema é que nós temos o livre arbitrio e sei lá se é burrice ou masoquismo, mas estamos sempre pintando os acontecimentos piores do que realmente são. Nós somos responsáveis por nossos sofrimentos, somos burros, imaturos, imperfeitos e diante de um maremoto, perdemos o nosso foco e nos permitimos sermos levados por essa mesma tal da força da gravidade que diariamente já nos impulsiona para baixo.

Pensamentos confusos, desconexos. Palavras que inconscientemente vão aparecendo na tela sem que eu mesma me dê conta. Eu não sei o que vai acontecer amanhã, ou mesmo daqui a cinco minutos, não estou afim de escrever frases bonitas ou impressionar alguém, só estou deixando com que meus dedos escrevam aquilo que sinto sem usar o filtro solar da razão.

Essa semana uma pessoa me disse que quem muda demais a aparência, na verdade está tentando se encontrar. Em menos de três meses, já mudei meu cabelo seis vezes e acho mesmo que essa pessoa tem razão. Acho que não me encontrei. Não me identifico com esse mundo injusto, com essas pessoas superficiais, com a frieza e a indiferença. Constantemente formulo uma máscara, tentando construir uma muralha fazendo com que mais ninguém tenha acesso ao que realmente represento.

Minha mãe diz que a culpa de tudo isso é do complexo de atlas, eu sinceramente tenho as minhas dúvidas, acho que sofri bem menos do que imaginava que iria sofrer, mas ela insiste em dizer que toda a minha mudança comportamental talvez tenha sido a forma que encontrei para reagir as adversidades da vida. Engraçado, atrás dessa vida de diversão, das baladas, dos amigos, sinto-me como se o tempo tivesse passado e eu não tivesse me dado conta. Essa semana fez um ano que praticamente abandonei meu ex-noivo no altar e os meus sentimentos, receios, continuam os mesmos. Ainda sinto-me sem chão. Não digo isso por ter me arrependido. Ainda tenho a convicção de que foi a melhor decisão que tomei em minha vida, mas... O que me atormenta, as respostas que busco, ainda são as mesmas... Não sei para onde seguir, tenho dúvidas, se o caminho que trilho é o mais correto... As vezes um pensamento me impulsiona a querer largar tudo e ir para a Austrália, estudar inglês, conhecer uma cultura diferente, sei lá... Tentar recomeçar do zero.

Na verdade sinto-me uma idiota. Perco tanto tempo pensando no meu futuro que esqueço de viver o hoje. Este momento é único e talvez a única coisa que necessito é esvaziar a minha mente. Parar de pensar tanto, de imaginar tanto. Há sempre alguma coisa importante acontecendo e se contiarmos olhando apenas para dentro de nós, buscando responder as incontáveis perguntas que nos fazemos diariamente, ficamos malucos. É dificil mudar, mas... É necessário e reduz nossos sofrimentos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Foi melhor assim

Os turbilhões dos últimos tempos, acabaram por consumir minhas energias, fazendo com que eu esquecesse de mim, dos meus propósitos, de lutar pelo que acredito ser justo e de realizar as atividades que me dão prazer. Uma delas é a arte de filosofar. Dia desses coloquei um texto no ar, mas àquilo soava tão melancólico, que decidi apagar.

Seria fácil se na vida fossemos capazes de deletar os momentos ruins, assim como fazemos com os posts mal redigidos. Diante de tudo aquilo que venho aprendendo na doutrina espirita e em todas as minhas leituras diárias, teoricamente aprendi que é muito simples ser feliz e estar sempre em paz. Porém na prática, algumas dificuldades da nossa imperfeição humana, nos estremece e por momentos esquecemos até da força da nossa fé.

São nestes momentos que nosso alto astral, nossa paciência, tolerância são testados, colocando em prova tudo o que realmente gostariamos de ser. É fácil dizer que amamos o nosso próximo, porém quando alguns de nossos desafetos se encontram na nossa rotina, nos perseguindo, nos odiando, nos caluniando e nos prejudicando, torna-se muito trabalhoso não se deixar entrar nessa sintônia inferior.

E se não nos vigilamos constantemente, não tem jeito, nos envolvemos mesmo, sofremos e é nessas horas que lembramos que estavamos ocupados demais para Deus, estavamos cansados demais para Deus e aquilo aconteceu para nos sacudir e abrir os nossos olhos e não para nos derrubar.

Daí depende de nós. Depende de nós, a força, a coragem, a determinação, a fé e a paciência. Nem tudo na vida é do jeito que nós queremos. Acho que um dos nossos piores defeitos é o de querer mandar na agenda de Deus. "Eu quero ser bem sucedido profissionalmente, agora", "Eu quero o amor daquele fulano". Será que nós sabemos o que é melhor para nós mesmos? Quantas vezes me deparei pedindo coisas absurdas, que hoje olho para trás e agradeço a Deus por não ter me dado.

Diferente de nós, somente Deus sabe o fim da história, só ele sabe aquilo que merecemos, somente ele tem o discernimento para saber exatamente aquilo que nos é necessário para o nosso desenvolvimento. Não adianta se revoltar, culpar os outros pelos nossos fracassos. É preciso acreditar, confiar e muitas vezes cultivar a paciência para saber esperar o tempo certo para as realizações de nossa vida pessoal.

Se algo não deu certo, se algo não foi como esperavamos, acredite: foi melhor assim. Hoje podemos não entender, mas um dia teremos esclarecimentos necessários para ver o quanto Deus escreve certo em linhas tortas.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados

Nos últimos meses, tenho tentado abstrair um pensamento, uma idéia, algo interessante ou mesmo fútil para partilhar com vocês. O problema é que quando releio os últimos posts, o complexo de Atlas, cria-me um bloqueio cerebral.

Apaixonada pela vida, pelo amor e caridade, tenho estado na mesma fase que o complexo de Atlas desviou-me. Já vivi muitas ilusões e estar cansada de ser enganada, devolveu-me a origem de um conflito intimo que reluto superar.

É chegado o dia dos namorados, propagandas, shoppings, restaurantes e móteis com filas de espera oméricas. Em outras épocas, creio que estaria triste, desanimada, desamparada, sedenta por encontrar o homem da minha vida. Este ano, se não fosse minhas amigas me lembrarem, este dia passaria despercebido, isso porque, estou solteira por opção, uma fase gostosa que não pretendo pular.

Retomando o foco dos conflitos, o meu instinto maternal, super-protetor, romântico e carinhoso, tornou-me carente durante muitos anos. Talvez por isso, permitiu-me com que eu vivesse tantas ilusões. O desespero em constituir uma família, em ser importante na vida de alguém, cegou-me de tal forma que por impulso acabei envolvendo-me com pessoas totalmente o averso daquilo que sou. Daí é claro que o tombo passa a ser inevitável. O outro não te aceita como você é, os sonhos, planos e objetivos são tão diferentes que mais ou cedo ou mais tarde, tomam rumos diferentes.

O problema é que a carência é uma merda e quando ela existe, nós nos permitirmos sermos enganados. Não venha me dizer que te enganaram, como já disse uma vez, a atitude mais fácil é transferir a responsabilidade para o outro, encontrar um culpado e sair ileso, sempre na posição de vitima. Hoje, particurlamente, acho isso ridiculo e não me conformo na quantidade de vezes que agi dessa forma. Inconscientemente, agimos assim, por pura imaturidade. A paixão, a carência, tira a nossa razão, deixamos a emoção falar mais alto e nos envolvemos com a ilusão daquilo que sempre buscamos, vendo sentimentos onde não existem, criando um castelo de ilusões, onde apenas nós mesmos somos capazes de sentir, desenvolvemos a arte telepática e acreditamos no reflexo dessas ilusões, por momentos, enxergamos uma gentileza, como um ato de amor e assim vamos nos afundando e quando chegamos no fundo do poço, perguntamos onde foi que erramos.

Constantemente já me senti assim e hoje o fato de estar solteira, envolve muito mais uma reflexão interior, do que o ato de badalar. Foi-se a época que meter um salto agulha, rebocar o rosto de maquiagem e vestir-se de forma exuberante, tornando-se o centro das atenções masculinas, fazia-me feliz.

Se hoje quero e gosto de estar sozinha, é para viver minha liberdade, estar com minhas amigas não na balada, mas em casa mesmo, tomando minha cerveja, filosofando sobre a vida e rindo das gafes que já cometemos. É viver pra mim, vestir-se bem apenas para admirar minhas curvas, frente ao espelho. É buscar meu crescimento profissional e interior, é conhecer-me melhor a cada dia para saber discernir a verdade, da ilusão. Toda aquela ansia que já tive de encontrar o homem da minha vida, desenvolveu uma carência que eu possuia sem saber e cegou-me muitas vezes, fazendo-me perder ou retardar os meus objetivos.

Sinto-me libertada através do complexo de Atlas. Essa paixão que eu achava sentir, trouxe-me a razão. Como poderia eu, largar uma vida e tudo aquilo que demorei anos a construir, por alguém? Amor não é isso. Amor é algo muito além do que já conheci. Mas antes de saber o que é o verdadeiro amor, o que mais quero e desejo é me conhecer melhor e me bastar a cada dia, sendo auto-suficiente o bastante para me manter tão feliz o quanto sinto-me nesses últimos meses.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

"Complexo de Atlas"

A vida é mesmo assim, é um ir e vir sem razões, claro que ninguém gosta de despedidas, mas infelizmente ela é necessária. Viver em meio a um “complexo de Atlas”, realmente é uma realidade bem difícil de se encarar. Depois da despedida, vem o nó na garganta, a indigestão em digerir a situação e a ficha demora a cair.

Primeiro surge à impulsividade de querer encontrar o analgésico para determinada dor. Pensamos em largar carreira, estudos, pegar o primeiro vôo com destino à felicidade anteriormente experimentada. Mas será mesmo, que tudo seria tão bom, como fora no passado próximo?

Daí você se enche de dúvidas e aos poucos vai caindo na realidade. Como seria possível esperar os meses que ainda restam para o reencontro, alimentando esperanças de um pseudo-relacionamento tão recente? Uma paixão precisa ser alimentada para que ela possa desencadear para o verdadeiro amor, creio sim que poderíamos alimentá-las à distância, mas eu particularmente necessito de atenção, de dedicação. Quando vejo que não recebo àquilo que necessito gradativamente eu vou perdendo o encanto e àquela paixão avassaladora se transforma em momentos fotografados pelas lentes da emoção e consequentemente são guardados dentro de um baú chamado coração.

Não estou dizendo que vou esquecer tudo aquilo que vivi, mas é fato que se eu não encontrar combustível para continuar conduzindo esta situação, terei que virar a página do diário da minha vida, pois como diria Cazuza: “O tempo não pára!”.

Não sei o que será daqui até julho, mas de uma coisa eu tenho certeza, é chegada a hora de reativar os ânimos, as aulas voltaram, a saga da incansável jornada de trabalho continua, meus amigos precisam de mim e todos aqueles projetos elaborados, ainda estão à minha espera para colocá-los em prática. Então, meus caros, se todos os meus problemas fossem apenas o “Complexo de Atlas”, dava-me por satisfeita.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Coisas do coração

Fazer, acontecer, querer, ser, estar, acreditar... São muitos os verbos para serem conjugados e a fórmula ideal ainda está para ser descoberta. Menininha paciente, comportada, que espera as coisas caírem do céu, definitivamente não combina com o meu ser. Tenho personalidade forte, luto pelo que quero, não tenho medo de desafios e não penso duas vezes antes de expor opiniões revolucionárias. O problema é quando tudo isso se mistura a outros valores e acabam por transformar as minhas idéias em algo tão complexo e incompreensível, que nem eu mesma consigo decifrá-las, fazendo com que eu me torne tão impulsiva, que é óbvio que os resultados não são nada favoráveis.

“E no meio de tanta gente eu encontrei você. Entre tanta gente chata, sem nenhuma graça, você veio... E eu que pensava que não ia me apaixonar... Nunca maisss... Na vida... Por isso não vá embora”

E não adianta procurar. As coisas acontecem quando menos se espera, sem nos darmos conta, um dia passamos a prestar mais atenção em alguém que jamais invadiu nossos pensamentos. É dado início a um papo agradável, instigante, na seqüência, nos deparamos com um simples abraço. Um abraço, um simples abraço tão envolvente que nos leva a pensar: será que é ele? Estes mesmos pensamentos passam pela cabeça durante dias, quando você finalmente o reencontra, o que mais deseja é que as coisas evoluam. E assim, com toda essa energia emanando milhões de possibilidades, tudo se torna real e é chegada a fase de conhecimentos, onde as pequenas coisas se tornam as melhores já vivenciadas. A alegria de acordar ao seu lado e ver o seu sorriso encantador a me admirar, e ainda ouvir que se está linda quando se sabe que está totalmente amassada é realmente indescritível. E com isso vem aquela contagem regressiva para que as horas, juntos se multipliquem, a distância seja subtraída, a atenção divida e os carinhos, caricias, dengos e beijinhos sejam somados.

Quem é que nunca viveu uma dessas paixões descompassadas, que faz o coração bater forte, o estômago virar piruetas e o resto todo balançar em um ritmo tão frenético que até nos fazem imaginar que estamos sonhando?

Química, pele, paixão, coração, palavras tão distintas que quando colocadas dentro do liquidificador de uma relação, se transforma em algo tão inexplicável que nenhuma teoria seria capaz de decifrar a intensidade e tampouco definir um resultado.

De tudo que já vivenciei, hoje, acredito que para ser plenamente feliz, é preciso ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É preciso se arriscar, pagar para ver, viver o que tiver que ser vivido, amar o que puder ser amado, com a vontade de estar sempre indo ao encontro da felicidade. Tem que saber doar e receber, estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. Compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Por isso, não me importo com a distância, mesmo que seja apenas um amor de verão, o que não posso é camuflar o que sinto. Como posso dizer que não sinto, quando na verdade desejo impedir sua partida! Como dizer que nao sinto, se eu gostaria que me levasse contigo!

Eu não sei jogar, odeio pessoas que camuflam o que sentem, interpretam, não acreditam em si mesma e querem agradar para não errar ou não perder o outro. E é exatamente aí que pecam. As pessoas entram em uma relação se protegendo, pensando se deve ou não ligar. Será que é difícil entender que esse detalhe não faz diferença? Por que não passam a serem parceiros, ao invés de ficar computando quem fez mais ou quem fez menos? Se durar um mês, durou. Pelo menos houve autenticidade e entrega. Poderíamos viver algo muito melhor, mais verdadeiro e instigante, mas não conseguimos, quando se continua com este medo idiota de perder a sua fama de "impenetrável". Para que? Talvez para depois ver que por um orgulho inútil perdemos a única pessoa que nos fez feliz e não nos demos conta? Acho que precisamos deixar os nossos receios de lado. Como diria Drummond: "É fácil bancar a difícil, difícil é mentir para nosso coração." E quando você for embora, meu lindo, não quero presenciar o meu mundo desabar por ter criado um castelo de ilusões em relações aos meus sentimentos, por isto te digo: Não vá embora, mas se for, saiba que existe alguém aqui que espera a sua volta.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Confusões Momentâneas

Caminhos se apresentam e não sabemos o que fazer. A mente nos diz vá por aqui e o coração diz, por ali. E, na dúvida, ficamos parados na encruzilhada e muitas vezes não vamos para lugar nenhum. Às vezes queremos e o mundo e as pessoas não querem. A angústia é o resultado emocional para os que ficam, ou são obrigados a ficar, parados na encruzilhada da vida.

Nem sempre as decisões dependem apenas de nós, eventualmente dependemos de fatores externos para que as coisas se resolvam com ênfase. De que adianta identificar que o ciclo de onde tiramos o nosso sustento se encerrou, sendo que necessitamos dos subsídios financeiros que ele nos oferece, para nos mantermos? De que adianta buscar novos horizontes no campo profissional, quando somente nossas atitudes não são o suficiente para alcançá-lo? É preciso paciência... E essa palavra simples de apenas nove letras, se torna tão complexa quando se é colocada em prática... É fácil dizer ou ouvir: “tenha paciência”, difícil é sentir a eficiência dessa palavra quando você não consegue enxergar perspectivas, possibilidades de aprendizados ou qualquer outro fator que te estimule além do dinheiro.

Parafraseando Pedro Bial: “Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade de sua vida tendem vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça feira modorrenta.”

Por isso acredito muito que em 2008, pretendo me livrar de tudo que não me for saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que possa me colocar para baixo. Podem dizer que sou egoísta, mas prefiro dizer que isso é Amor-próprio. Tenho que fazer o que gosto, quando quero e tudo aquilo que acredito ser certo. Não adianta reviver o passado ou se preocupar demais com o futuro, é preciso se manter no presente, este sim, é o tempo onde as coisas realmente acontecem.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Feliz Ano Novo!!!

Criar metas, traçar planos, colocá-los em prática, ou então esquecer de todas as promessas realizadas e simplesmente deixar as coisas fluírem. Final de ano é sempre assim. A gente promete um milhão de coisas e geralmente não cumprimos a metade do que queríamos ao longo do novo ano, mas... Sempre que um novo ano bate em nossas portas, nossas esperanças se renovam e desejamos tudo novinho em folha.

Ao contrário dos anos anteriores, eu não vou passar o último dia do ano próximo ao mar, este ano eu optei por sair da rotina, por isso daqui há algumas horas estarei embarcando para Buenos Aires. Quem sabe, sair da rotina, não trás a sensação de um ano mais glamuroso que os anteriores? Estar em um outro país, sentindo a boa energia de um lugar onde nunca freqüentei, me faz almejar que o próximo ano traga-me muita prosperidade, saúde, paz, sucesso profissional e porque não o amor? O amor da família, dos amigos, pelo próximo... Coisas simples, mas que podem perfeitamente estar ao alcance de todos.

Sonhem, sonhem muito! É através de nossos sonhos que nos disponibilizamos a lutar e conseqüentemente, sentir o gosto da vitória dentro de nós mesmos. E é assim que a chama da esperança se manterá sempre acesa, nos fortalecendo dia a dia. Mais um ano que se encerra... Renasce a esperança de que o próximo será melhor! O importante é a chama da Vida, aquela que se renova, e é nesta época que se reciclam conceitos, e as experiências realizadas fazem-nos um pouco melhor. Por isso para manter a tradição de todos os anos, eis algumas de minhas metas para 2008:

1- Conhecer novos lugares, freqüentar novos ambientes.
2- Viajar durante todos os fins-de-semana de folga e conhecer um pouco mais das lindas praias brasileiras.
3- Dançar até o esqueleto doer.
4- Freqüentar mais as aulas de natação.
5- Inventar menos problemas. E se mesmo assim, se eles insistirem em me perseguir, me adequar ao saudoso Ctrl + Alt + Foda-se.
6- Emagrecer os quilinhos que sempre ganhamos nessa época do ano e mantê-los durante o ano todo.
7- Rir escandalosamente e gargalhar até doer o maxilar.
8- Tirar muitas fotos de diversos momentos marcantes.
9- Parar de fumar, mas que desta vez seja definitivo.
10- Voltar o inglês, estudar muito e me dedicar ao meu último ano de faculdade.
11- Ter paciência de deixar meu cabelo crescer até a cintura (não falta muito)
12- Engordar meus investimentos para comprar meu novo carro.
13- Crescer muito espiritualmente, tentar reparar todos aqueles imperdoáveis erros melhorar meus defeitos.
14- Cuidar muito de mim mesma, me vestir bem só para mim, fazer minhas mascaras de beleza por pelo menos duas vezes por semana, fazer drenagem linfática, parar com minha vida sedentária, me alimentar melhor e fazer um check up.
15- Ser mais paciente e menos desesperada.
16- Ser promovida e ter uma carreira brilhante em 2008.
17- Investir 20% do meu salário ao mês.
18- Fazer escova progressiva para deixar os cabelos mais lisos do que já são.
19- Reformar meu apartamento.
20- Manter o prazer em ser feliz sozinha.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A importância do natal

Então é Natal... Particularmente não sou fã desta data. Acho até pecado dizer isso, mas eu não gosto de natal. É uma data muito importante e de grande significado. É época de perdoar, de doar amor ao próximo e de rememorar o maior dos lideres que já tivemos: Jesus. Não digo que devemos relembrar apenas os seus sofrimentos, digo que penso que nesta época deveríamos tentar realizar uma reforma intima, conversarmos um pouco com nossa consciência, localizar nossos erros e trabalhar pela nossa evolução espiritual.

O problema é que na prática essa teoria não funciona. As pessoas esqueceram o verdadeiro significado e importância desta data. O natal virou um comércio, as pessoas se preocupam com os presentes e reclamam de ter um gasto acima do habitual. Ao invés de doar amor, os presentes se tornaram obrigatórios e junto a eles uma camada bastante considerável de hipocrisia se integra nas reuniões familiares. Todos os anos são sempre iguais, você se reúne com a família e com alguns parentes tão distantes que é somente nesta época em que se encontram. Pessoas que odeiam o seu próximo, desejando um feliz natal, quando na verdade queriam desejar uma pena de morte ou alguma similaridade. Será que isso é perdoar? Perdoar tem que vir do coração, da alma, da sua essência. Discordo em perdoar alguém simplesmente porque é natal, quando no fundo da minha consciência eu ainda não o perdoei.

Odeio hipocrisia e sinceramente penso eu que o natal se tornou um mero sinônimo deste sentimento. E é apenas por isso que não gosto do natal. São poucos os que sabem o verdadeiro significado da data, a maioria estão mais preocupados em colocar uma roupa nova, beber até não sentir as pernas, sair como loucos pelo trânsito, causando muitos dos acidentes que se intensificam neste período e esquecem de pelo menos parar por um minuto para falar com Jesus.
E o que eu desejo hoje aqui, é que façamos uma auto-análise e tentemos pensar um pouco sobre o verdadeiro significado do natal. Desejo muita paz, amor, saúde e muita perseverança para que todos possam seguir os seus respectivos objetivos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

As máscaras que criamos

“É interessante que, além da vida real, o homem sempre tem uma segunda vida abstrata onde, com calma e deliberação, o que antes o deixava nervoso e irritado, parece frio, sem graça e distante: ele é mero espectador e observador.”

Lendo um pouco sobre Schopenhauer, percebo que ainda sinto dúvida em relação há muitas coisas. Já perceberam que ao decorrer da nossa existência vamos criando um acúmulo de máscaras superficiais a fim de esconder nossas imperfeições e passar exatamente aquilo que um determinado grupo necessita saber sobre você?

“A sólida base de nossa visão do mundo e também o grau de sua profundidade são formados na infância. Essa visão é depois elaborada e aperfeiçoada, mas, na essência, não se altera.”

Sim, andei refletindo em relação a esse aspecto, digamos que eu seja uma pessoa transparente, nunca perco a minha essência. Sou a mesma Dona das horas ao lado da família, no trabalho, com os meus amigos e até quando estou sozinha. Mas será que todos me enxergam com todos os defeitos e qualidades que possuo?

Ter uma boa aparência também trás as suas desvantagens, nós nunca sabemos se as pessoas se interessam pela nossa embalagem ou por nosso conteúdo. A maioria das pessoas sente atração por um rosto bonito, um corpo esbelto e a boa aparência costumam ser tão gratificada que na maioria dos casos “o ser belo”, deixa de se esforçar em se tornar interessante em outros quesitos. Acontece, que um dia a beleza acaba, a ruga aparecem e a lei da gravidade começa a agir. Nesta hora os que optaram pela beleza, enxergam um ser vazio e a embalagem do ser belo que começa a se decompor trás o arrependimento em perceber que se viveu provisoriamente, largando como sem graça, justamente o verdadeiro significado da vida: o conteúdo que desenvolvemos durante o nosso trajeto.

Não desejo viver esse tipo de arrependimento e é por isso que cultivo outros valores ao invés de viver a chata rotina vazia de um salão de cabeleireiro, clinica de estética e academia. O problema é que ainda somos julgados por nossa aparência e nem sempre conseguimos mostrar aquilo que realmente somos. Isso por dois fatores: Ou não temos oportunidade por já nos rotularem antecipadamente, ou porque realmente a pessoa não merece conhecer os nossos verdadeiros valores.

Estudo a doutrina espírita a alguns anos, não sou fanática por religião e nem acho justo eu impor aquilo que penso, fazendo uma lavagem cerebral como outras religiões fazem, obrigando os que convivem comigo a acreditarem naquilo que dou valor. Acima de tudo, respeito o próximo e mesmo amando a Deus sobre todas as coisas, fica praticamente impossível falar dele com um agnóstico.

São poucos aqueles que me conhecem por completo, isso por que para se discutir certos assuntos, algumas de nossas atitudes nos contradizem. E nem sempre, por mais que queremos ser transparentes, conseguimos alcançar nossos objetivos, a insegurança de nos mostrar exatamente como somos e de certa forma, sermos recriminados, nos leva a repreensão de nossos valores e a criação de novas máscaras.

Com isso, muitas vezes ficamos perdidos em relação ao nosso “eu”, diante de tantas máscaras, acabamos nos confundindo e não sabendo quem realmente somos. Fica difícil discernir o que é uma máscara e o que é a verdadeira realidade.

Freqüento bares, danceterias, falo palavrão, faço piada e tiro sarro de todos à minha volta, mas isso não quer dizer que sou limitada apenas a isso. Sonho em dar à volta ao mundo, conhecer novas culturas, gosto de ler, escrever, adoro filosofia, psicologia, mercado financeiro, planejo minha carreira, vou ao teatro, museu, parques e os meus programas prediletos geralmente são aqueles considerados como programas de índio.

Quem me vê em um bar, esbanjando o foda-se, não enxerga que sou romântica, sonhadora, sensível, emotiva, que zelo pela família, pela sinceridade e também pela fidelidade acima de qualquer circunstância. Em suma, acho que Schoupenhauer tem uma sensibilidade brilhante em transformar em palavras a minha análise quando diz:

“Adquirimos um conhecimento através do corpo que não podemos conceituar e comunicar porque a maior parte de nossa vida interior é desconhecida para nós. A vida interior é reprimida e não pode ser conscientizada porque conhecer nossa natureza mais profunda (nossa crueldade, medo, inveja, desejo sexual, agressividade, egoísmo) seria um peso maior do que poderíamos agüentar.”

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Pensamentos desconexos

Ao contrário daquelas pessoas que vivem esperando as coisas acontecer, eu faço as coisas acontecerem. Digamos que eu seja um agente de mudanças e transformações, com todo o poder de alterar a realidade circundante, fazendo as coisas acontecerem, quebrando a estagnação e varrendo para fora todo e qualquer sentimento de tédio.

Entre oito e oitenta, digamos que sou sempre oitenta, sou intensa e vivo a transformar aquele monte de idéias que corroem meus neurônios e sentimentos em flashes intuitivos, que quase sempre me levam a assumir riscos saudáveis, acreditando em sonhos grandiosos.

De que adianta nos fantasiarmos de poderosas e intocáveis, nunca nos abrir para a pessoa que supostamente estamos curtindo e depois ver que por um orgulho inútil perdemos a única pessoa que nos fez feliz e não nos demos conta? Acho que precisamos deixar os nossos receios de lado e realmente ir atrás daquilo que trás uma boa energia para nosso ser. Isso nos engrandece e nos faz enxergar a vida de uma maneira diferente.

Não eu não estou com ninguém, continuo solteira, com o coração livre e desimpedido, mas senti vontade de falar sobre o amor. De que adianta dizer que curtimos estar solteira, se sempre rola um momento carência quando esta situação continua estabilizada por muitos meses? A cada ficada, sempre achamos a possibilidade de algo mais envolvente, mas nem sempre o seu momento coincide com o da pessoa que está ao seu lado e aí nos decepcionamos mais uma vez. Sonhamos acordados pensando na sensação de provar o amor mais uma vez e sempre nos deparamos com os mesmos problemas, assim cada um toma um rumo diferente e acabam descansando os seus corações uns por acharem que encontraram ou por terem encontrado realmente, outros por acharem que não existe. E tem os desesperados, que insistem sempre em continuar na luta experimentando todo o tipo de aventura e também se magoando muitas vezes. Enfim: acostumamos-nos com o que criamos pra nós, afinal cada um escolhe a história que quer viver. E se o enredo não for dos melhores, não adianta culpar os atores, quem escolheu o elenco foi você. Quem escreveu as falas ridículas também. Transferir responsabilidades é muito feio, já te disseram isso?

Vivemos a vida inteira em busca de alguém especial e ao decorrer de nossa jornada podemos encontrar poucos que realmente nos fazem suspirar, alguns deles agarramos com tanta convicção que acabamos por sufocar uma relação que poderia ser inesquecível e não foi, outros, deixamos livres demais e os perdemos por puro vacilo. Mas a vida é assim e a cada tombo, levantamos com a certeza que da próxima vez não cometeremos os mesmo erros. Assim vamos perdendo as nossas possibilidades de acertar e jogamos o jogo do amor diariamente.

Não nego que sou sonhadora, que de certa forma construo sonhos até um pouco impossíveis. Mas confesso que também não fico parada, o ócio me dá ojeriza e eu vou à luta. De uma forma ou de outra, construo meus sonhos, mas se eu não consigo os tirar do papel, acabo me frustrando. Ociosidade não combina com o meu ser e juro que odeio pessoas que pensam que tudo caí do céu. Posso até reclamar de muitas coisas, exceto do marasmo. Tudo o que for ordinário cede lugar ao extraordinário neste momento de minha vida.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Pensamentos Extraídos de uma Conversa via MSN com minha amada amiga Kinha

E por falar em homens. O que será que anda acontecendo comigo? Eu, pobre canceriana, carente de carteirinha, que sempre insisti em cavoucar o passado em busca de um acontecimento marcante para tentar reviver e que sempre tive a necessidade de estar com alguém, passei a me apaixonar pelo fato de estar sozinha. Digamos que isso seja efeito colateral de um pseudo-casamento desfeito às vésperas da lua-de-mel. Pois é, se há exatos oitenta e cinco dias atrás, se eu não tivesse surtado ao ponto de mandar o bendito casamento às favas, hoje eu estaria na contagem regressiva para os cinco dias que me restariam, antes de eu colocar o vestido de noiva, entrar na igreja e jurar amor eterno à um homem que hoje não consigo sentir absolutamente nada.

Digamos que foi um acontecimento categórico. Que não mudou apenas os meus planos para o futuro, mas que serviu para reformular certos sentimentos dentro de mim. Nunca senti tanta repulsa ao passado, como sinto hoje. Não digo que me arrependo de alguma atitude que tomei nas primeiras páginas do diário do tempo da minha vida, mas sim, que simplesmente são páginas passadas e que não desejo revivê-las novamente.

E parece que homem sente o cheiro de mulher desamparada. Nesses oitenta e cinco dias que saí do banco de reservas e entrei para o campo dos solteiros, não me conformo com a intensidade que os homens do passado, saíram do fundo do baú. Não nego que não deixa de ser divertido se sentir desejada, mesmo que por múmias do passado. Múmia é algo fácil para se desvencilhar, só fechar o caixão que elas desaparecem bem. Complicado mesmo são os fantasminhas, mas depois que contratei os GhostBusters, sabe o que restou de todo o meu passado? A vontade de dar ótimas gargalhadas.

Acredito que estou vivendo um momento muito particular e encontro-me em uma fase que para os homens, utilizo diariamente as teclas: CTRL+ALT+FODA-SE. Nunca dei tanto valor a minha liberdade, acho que passei tanto tempo cozinhando, lavando, passando, me privando de certas coisas para viver bem a vida de casada, que hoje tenho horror a qualquer similaridade. Estou há 85 dias sem saber o que é cozinhar ou cuidar de uma casa, passei a me irritar com qualquer tipo de cobrança e estou completamente desencanada de ter qualquer tipo de relacionamento afetivo.

Quem diria que um dia eu poderia estar dizendo isto? Eu que sempre saí de um relacionamento e já me enroscava em outro, que nunca soube viver literalmente sozinha, que sempre tive a necessidade de estar apaixonada, que me senti totalmente sem chão com o fim do meu relacionamento e que sem saber por onde recomeçar, quase engatei um novo romance, aos primeiros sinais de cobrança sem que eu me desse conta, a inconstância dos meus sentimentos se transformou em algo que ainda não consigo definir.

E isso tudo não se trata de trauma de relacionamentos passados, sou bem resolvida e estou sempre disposta a correr riscos. Não tenho medo de me envolver, mas simplesmente preciso de um momento meu. Como diria a letra da Fergie – Big Girls Don´t Cry: “...O caminho que eu estou trilhando, eu devo ir sozinha...”

E após algumas reflexões, após sentir os pés nos chãos, depois de Atibaia, Alfenas, embarco para Argentina neste reveillon para passar la noche del la Año Nuevo en Buenos Aires.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Filtro Solar

Não é simplesmente um diário que se inicia, sinto-me em meio a tantas novidades que eventualmente faço uma analogia à minha infância aos inícios da descoberta sobre a vida.

Parecia uma tempestade. Vieram relâmpagos, após uma chuva intensa que por instantes pareceu desabar minhas estruturas, com o fim do meu pseudo-casamento, surgiram os trovões trazendo tanto medo e insegurança que eu jamais imaginei que pudesse ter fim.

Acabou. Nada é eterno e a chuva simplesmente deu tréguas, purificou o meu mundo e acredito que fertilizou o meu solo. Mais do que simplesmente amanhecer com um dia ensolarado, após uma tempestade é ser capaz de sentir a energia poderosa, vigorosa, calorosa e intensa deste momento.

O que importa, neste momento, não são as verdades gerais, os dogmas, as regras, os manuais. Importa a sua experiência. Viver de acordo com o que você acredita, ainda que isso gere tanta oposição das pessoas ao seu redor. Quando finalmente você se decide a respeitar o seu caminho, atraí oposição e conselhos dos outros. Filtre tudo. Não descarte nada, mas filtre tudo. Isso me faz lembrar de uma música que ouvi um dia desses do Pedro Bial, chamada: Filtro Solar. Por isso aproveito o ensejo para comentar em relação a algumas estrofes da letra.

“Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.”

O que eu entendo sobre isto? Não existe uma base confiável, além da minha própria existência errante, mas acredito que muitos buscam uma carcaça de boa aparência e esquecem que a beleza externa acaba. Com o passar dos anos, a lei da gravidade age em nossos corpos, as rugas surgem e a verdadeira beleza são as nossas idéias, sentimentos, virtudes e a capacidade de saber lidar com o ser - humano.

“Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade de sua vida tendem vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça feira modorrenta.”

Sofremos tanto querendo saber se teremos uma carreira promissora, um casamento de conto de fadas, ou com o que faremos com o dinheiro do prêmio da mega-sena acumulada e não nos damos conta que os acontecimentos somente se tornarão problemas após vivermos, sofrermos e aprendemos. Não adianta se preocupar com o que ainda não ocorreu, espere, tenha paciência e permita que as coisas aconteçam para você tentar buscar uma solução. Viva o momento, viva o seu presente e busque sempre ser uma pessoa melhor, ser feliz a cada dia e até mesmo encontrar a felicidade tomando um bom banho, atingindo um orgasmo através de um ótimo livro ou quem sabe até ao ver a lua virar sol em uma madrugada que de pijama, você tinha a total convicção de que dormir. No entanto, simplesmente decidiu-se sair com uma grande amiga a uma balada pra lá da casa do chapéu, que tinha tudo para ser a pior de suas decisões e que, no entanto, tornou-se um acontecimento tão marcante que nem o sono, o cansaço lhe permite deixar de sorrir.

“Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, às vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.”

Viva a sua vida, não deseje a vida ou as conquistas alheias, por mais sortudo que alguém demonstre ser, todos temos os nossos próprios problemas. E já temos problemas demais para nos frustrar com a vida dos outros. Resolva a sua vida, se hoje encontra-se triste, relaxe. Amanhã será um dia melhor e tudo o que você não esperava pode se tornar realidade como em um passe de mágicas.

“Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.”

Estou com 23 anos e não sei o que vou fazer da minha vida, mas sei o que fiz ontem e o que vou fazer daqui a algumas horas. É gostoso fazer planos, mas é frustrante não os alcançar, portanto, o melhor a ser feito é não se planejar e permitir-se ser pego de surpresa pelas conquistas inesperadas.

“Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer, não se auto-congratule de mais, nem seja severo de mais com você. As suas escolhas têm sempre metade de chance de dar certo. É assim pra todo mundo.”

Não procure conhecer seu futuro antes da hora, nem exagere no seu sofrimento. Esperar é dar uma chance à vida para que ela coloque a pessoa e os acontecimentos, na hora certa em seu caminho. Nem tudo acontece da forma que esperamos ou que queremos, vivemos nesta incerteza constante que se chama vida. Encontre o meio termo e seja feliz sempre, pois mesmo que algo pareça triste hoje, amanhã você terá a certeza que foi o melhor que aconteceu, pois como eu disse anteriormente, os relacionamentos começam e terminam, os projetos começam e acabam, mas a vontade sempre perdura.

“Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.”.

Durante muitos anos eu me senti excluída, por muitos anos achei que gostava do meu pai, pelo simples fato dele ter me trazido ao mundo. O tempo me conscientizou que a culpa disso tudo, era exclusivamente minha, eu era tão egoísta e impenetrável, que nunca ofereci espaço a ele. Uma noite dessas de verão, onde eu estava passando pelo período mais difícil de minha existência, me vi sem um único amigo para desabafar, estava somente eu e ele dentro de casa, foi quando me vi sem alternativas, sentei ao lado dele, solucei poucas palavras e chorei como uma criança, pedindo um abraço, um colo. A partir deste momento, derrubei aquela barreira que construí através do meu individualismo e além de me permitir ser amada, o amo tanto que não sei o que faria sem o meu velho. E irmão? Tem época que as brigas são constantes, ele me irritava tanto que ao calor da discussão eu disse que queria que ele morresse. Era natal de 1999, ele saiu após a discussão e sofreu um acidente onde passou 30 dias na UTI. Foi frustrante, mas foi o único jeito que Deus fez para que através do sofrimento, eu entendesse o quanto o amo. Mãe? É tão chato ouvir que tudo o que você faz é errado, mas quando se quebra a cara, passamos a entender que se ouvíssemos mais ao invés de contestar sempre, nos privaríamos de alguns aborrecimentos. Moro sozinha há quatro anos e em todo este período, cada dia mais eu sinto saudades do tempo mal empregado que dediquei a minha família, por isso sempre que posso, faço tudo para estar ao lado deles.

“Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem.Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.”

Não podemos seguir a risca tudo aquilo que nos é sugerido, é necessário filtrar as informações, acrescentar aos seus pensamentos e ideais e descartar tudo aquilo que não serviu e tomar uma decisão de sua autoria. Parafraseando Pedro Bial: "nunca esqueça o filtro solar!"

sábado, 20 de outubro de 2007

Onde está a FELICIDADE?

Recentemente decidi fortalecer o time dos solteiros e mandar este tal de amor às favas, portanto, nada melhor do que mergulhar e se esconder em meio ao trabalho para esgotar o tempo livre, a fim de deixar de plantar caraminholas em uma mente que ainda está tentando criar um novo paradigma. E conforme pronunciei no relato anterior, a situação mais difícil que lidamos em nossa existência é realmente a de se habituar a uma novidade.

Gastamos parte de nossas vidas procurando a felicidade, nos iludimos acreditando quando somos crianças que ganhar o brinquedo mais caro da loja, no dia das crianças, nos fará feliz por toda a eternidade. Passado alguns dias, o brinquedo não tem mais o mesmo encanto, o jogamos de lado e logo buscamos outro brinquedo que nos faça feliz. Surge à adolescência, os amigos, as baladas. Vestimos o vestido mais sexy, um salto agulha, um perfume marcante e uma maquiagem exuberante. Pronto, estamos irresistíveis para atacar qualquer alvo dentro dessa guerra. Brigamos com nossos pais, nos revoltamos, cada vez que eles dizem que andamos com pessoas erradas e nós não aceitamos, achamos que eles não sabem o que é a verdadeira felicidade. Amigos é a família que Deus nos permitiu escolher, mas enquanto existe farra, bebedeira e tudo o que eticamente é proibido, nós somos felizes. Até enfrentarmos as primeiras decepções, aqueles amigos que tantas vezes o chamamos de amigos, tornam-se nossos rivais. As baladas que eram tão inesquecíveis perdem a graça, assim como atirar para todos os lados, se torna chato. Convivemos com as mesmas pessoas, quase todas desprovidas de cérebro. A falta de um assunto que não seja fútil nos faz criar ânimos para almejar por outros propósitos. Chegamos em casa, deitamos a cabeça no travesseiro e o vazio nos assusta. Será que para ser feliz é preciso de um relacionamento? Aí você vai, encontra a primeira pessoa disposta a namorar e você mais uma vez se ilude, acreditando que a felicidade será para toda eternidade. Quem é que nunca se imaginou em um conto de fadas? Pois é, sempre me imaginei em um em cada relacionamento que tive, até que descobri que a vida não é um conto de fadas e nem sempre o final é a praxe: “E viveram felizes para sempre”. Você sofre, sente ciúmes, briga, termina e depois chora como uma criança que perde o pirulito.

E nessa busca constante pela felicidade plena, eu já fiz tanta coisa...

Eu já dei risada até a barriga doer, já nadei até perder o fôlego, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado. Já chorei de soluçar ouvindo música no carro. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxa. Já quis ser modelo, atriz, bailarina, jornalista, psicóloga e analista de sistemas. Já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei muitos beijos e deixei os meus serem roubados, Já fiz confissões antes de dormir num quarto escuro pra minha melhor amiga. Já confundi sentimentos e acabei entrando em uma bela enrascada. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de strogonof, já me cortei raspando as pernas depressa, já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Conheci a morte de perto, como já também desejei muito não mais viver e agora anseio por viver cada dia sempre mais. Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já bebi até não sentir as pernas, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei o meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já dancei até o esqueleto doer. Já saí de segunda a segunda, virei noites em uma rave e talvez por isso, hoje vivo com tanto sono. Já viajei sem destino e sem saber para onde ir voltei a minha origem. Já fiz Tênis, academia, natação, Cooper e hidroginástica, mas nunca levei muito a sério esse lance de ser esportista.

Já tentei mudar meus caminhos, minhas perspectivas e principalmente me desvencilhar de casos antigos que já me trouxeram tanta dor e sofrimento. Já quis apagar o passado e desejar tudo novinho em folha. Já conquistei e já fui conquistada. Já amei e já fui amada. Já conquistei e não fui conquistada. Já amei e não fui correspondida, já fui noiva e troquei minha família por um amor, quase me casei, mas quando a vida levou minha avó, descobri o quanto à família é o alicerce de nossas vidas. Depois disso já morei junto durante dois anos e com o casamento marcado, a festa e o vestido comprado, mandei tudo às favas. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola e no chão da minha rua. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade. Já cultivei relacionamentos, onde eu tinha a total convicção que nunca me apaixonaria, como também me mantive por muitos meses, em um relacionamento onde só eu amava, só eu procurava e somente eu sentia. Já tive todos os possíveis e impossíveis casos de amor.

Já apostei em correr descalço na rua apertando a campainha dos vizinhos e fugindo ao sentir a presença deles, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já fiz um lual dentro do carro com cerca de dez pessoas berrando ao som de um violão, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.

Por mais doloroso que seja, às vezes temos que tomar algumas decisões em nossas vidas. Não é nada fácil se desvencilhar do passado, mas viver em função dele também se torna um verdadeiro martírio. É importante aprender a lição, acredito hoje que a vida nada mais é do que uma escola e que enquanto não aprendemos à lição, continuamos vendo os anos passarem e as situações se repetirem, como se o mundo evoluísse e você continuasse a mesmice de sempre. Com tudo o que vivi e sofri, posso dizer que já perdi muito, que errei muito, mas uma coisa eu ganhei e isso se chama experiência.

Ao longo de nossa vida, nos damos conta que existem coisas que duram pouquíssimo tempo, mas há também coisas que duram bem mais. Essas coisas duradouras quase que invariavelmente são interiores, são as nossas qualidades e virtudes, assim como também alguns de nossos defeitos. Procuro compreender quais são essas coisas duradouras dentro mim. Muitas vezes, fazemos de nossas vidas um círculo vicioso, os anos passam e parece que as situações se repetem como a seqüência de zero e um, do código binário. Percebemos que os relacionamentos vêm e vão, os projetos começam e acabam, mas há algo que se configura como sendo eterno. Você pode até mudar de relacionamento, mas o desejo de amar perdura. Pode mudar de projetos, mas o desejo de crescer perdura. Assim sendo, não importa tanto qual é o foco externo dos seus desejos, contanto que você aprenda a valorizar suas próprias virtudes neste particular momento da vida.

Passamos anos procurando a metade da nossa laranja, até descobrirmos que somos pessoas inteiras, que somos completos e que antes de encontrar o amor da nossa vida ou procurar a felicidade pelos cantos, descobrimos que a felicidade está dentro de nós. Nós criamos o céu e o inferno e em um único dia podemos vivenciar os dois lados da moeda, basta mesmo saber qual deles é que você deseja alimentar com mais intensidade.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer nossas expectativas, assim como não estamos aqui para satisfazer as delas. Temos que nos bastar. Nos bastar sempre e, quando procuramos estar com alguém, fazer isto ciente de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém. As pessoas não se precisam. Elas se completam não por serem duas metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

É muito prazeroso poder fantasiar nossos momentos, construir nossos planos, desenvolver idéias, decidir, desistir, lutar, vencer, perder, enfim, como é bom viver! E além do mais, tudo SOZINHA. Isso mesmo, SOZINHA. Sem dever satisfações a ninguém, sem pedir aprovação de terceiros, sem agüentar bico ou cara de entojo a cada vez que você decide sair com os amigos. Enfim, essa liberdade que construí ao longo das experiências vividas, me fez entender que não adianta procurar a felicidade em coisas ou pessoas, a felicidade está dentro de nós, dentro de nossos pensamentos, das nossas virtudes. Digo isso, pois sempre que tentei buscá-las de outro modo, após um objetivo alcançado, tudo se tornava monótono e no fundo sentia que ainda faltava alguma coisa. E sabe do que se trata esse vazio? Da falta de conhecimento próprio. Por isso a cada dia procuro me conhecer melhor, me reformar intimamente e realizar uma mudança de dentro pra fora. Espero que eu esteja caminhando pelo caminho correto. Felicidade plena não existe. Sem sofrimentos não há aprendizados, mas à medida que nos conhecemos melhor, tudo se torna mais simples, mais significante e mais prazeroso.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Um novo começo

Por que será que tudo o que é novo é tão difícil? Estou há meses pensando e repensando sobre o que escrever na estreia do meu primeiro Poste. Queria sim, iniciar em grande estilo, mas digamos que estilo é muito peculiar. Não adianta vestir uma roupa de gala, isso poderia ajudar a aumentar a auto-estima, porém expor opiniões após três anos na geladeira, é preciso de um pouco de óleo para amolecer a inspiração enferrujada. Não adianta protelar, mais cedo ou mais tarde, precisamos iniciar alguma coisa nova. O importante é começar, o resto vem com o tempo.

Já criei muitos pseudónimos, Green Fairy era um deles. Desta vez, escolhi: Dona das Horas. Motivo? A vida é uma verdadeira história e Um diário no tempo, serviria como uma ferramenta para daqui alguns anos, eu relembrar o que eu fazia dessas horas que disponho dos meus vinte e poucos anos.

Para compartilhar um pouco da dificuldade de iniciar algo novo, não poderia deixar de falar sobre carreira.

No auge dos meus dezoito anos, não tinha maturidade o suficiente para fazer uma escolha tão importante. Fazer uma escolha definitiva que compromete o seu futuro causa muita insegurança e eu me via ali, dentro de opções completamente distintas: Jornalismo, Psicologia ou Ciências da computação.

Escrever sempre foi um Hobby, na época do vestibular jurava que um dia eu me tornaria uma grande jornalista, sou muito curiosa e adoro pesquisar sobre novos assuntos e ler aquilo que nunca ninguém ouviu falar, sem contar a facilidade em expor sentimentos, pensamentos e opiniões através de palavras. Admiro pessoas que nascem com uma determinada vocação, eu particularmente acredito que não nasci com nenhuma especifica, apesar da facilidade com as palavras, acredito que a vida de um verdadeiro jornalista, requer muito mais do pouco que possuo, sem contar que é um mercado complicado para o ingresso.

Parti para opção de Psicologia, até me dar conta que eu passava por um momento de fortes transformações e apesar da vontade de querer mudar o mundo, ajudar o próximo, acabar com a corrupção, com o crime e com as injustiças que vemos acontecer, eu era apenas uma. Uma adolescente tentando me descobrir, me conhecer e antes de nos encontrarmos, é praticamente impossível ajudar o próximo, me contentei em mudar minhas próprias atitudes e fazer a minha parte para colaborar com aquilo que estava fora do meu alcance.

Por não restar opções, fiz dois anos de ciências da computação, para descobrir que lógica de programação é uma das poucas lógicas que os meus neurônios são capazes de assimilar. Pensar em dinheiro, status, não me dava o mínimo tesão. No meio das incertezas, nada melhor do que agregar cada habilidade e experiência adquirida e adotar o curso de Administração, que dá ênfase para tudo aquilo que você ainda desconhece.

Embora tantas mudanças tenham ocorrido, tornei-me Analista de Crédito e posso dizer que hoje consigo utilizar um pouco de todo esse meu período de indecisão na minha carreira, tendo uma visão distinta, enxergando pontos que talvez se eu sempre me centrasse apenas em um único objetivo eu não o veria.

Assim como a carreira, todo o inicio nos gera insegurança, apesar de tudo nos parecer simples a olho nu, a partir do momento que colocamos nossos objetivos em prática, nada consegue ser executado exatamente como planejamos. A lei de Murphy parece nos perseguir e para conseguir se chegar a um objetivo, além da vontade, é preciso muita garra, persistência e acima de tudo, não perder as esperanças. Para tudo na vida, existem obstáculos e é necessário percebermos, aceitarmos, refletirmos e agirmos baseados em nossos sonhos. Sonhar é uma das poucas coisas nessa vida o governo não nos cobra impostos. Por isso aproveito muito esse argumento para poder buscar àquilo que acredito. Agora vou me dividir com um mundo de pessoas, espero que valha a pena. E espero ver um monte de gente visitando isso aqui para me oferecer mais motivos para pensar no mundo e nas coisas.